Fundamentação Bíblica
"De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados." (Gálatas 3:24)
"Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada." (Romanos 8:18)
"Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas." (2 Coríntios 4:18)
"Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens." (1 Coríntios 15:19)
Reflexão
Na epístola aos Gálatas, o apóstolo Paulo é cirúrgico ao separar as águas: o Evangelho de Cristo não é uma extensão ou um "puxadinho" do Judaísmo. Existe uma ruptura ontológica aqui. Enquanto o Judaísmo aponta para as bênçãos terrenas, o Cristianismo nos projeta para as eternas e espirituais. O Judaísmo lida com figuras, tipos e sombras; em Cristo, o véu foi rasgado e a realidade foi revelada. Paulo utiliza a metáfora do herdeiro menor de idade que necessita de um tutor (o "aio") — no caso, a Lei. No entanto, em Cristo, atingimos a maioridade espiritual. Já não precisamos de muletas rituais para acessar o que Jesus nos garantiu no madeiro.
Muitos hoje bradam: "O melhor de Deus está por vir!". Eu pergunto: você é judeu? Pois o judeu é aquele que, por rejeitar o Messias, ainda aguarda o "melhor". Para nós, que fomos alcançados pela graça, o melhor de Deus já se manifestou: Ele é Cristo! Ele já veio a primeira vez para nos resgatar e virá a segunda para nos buscar.
Cuidado com os bordões que mandam você "sair da tenda para viver o melhor desta terra". Se você busca o Antigo Testamento e as práticas judaicas para estabelecer uma disciplina de liberalidade e colher frutos financeiros, entenda: isso pode até ser um estilo de vida, mas é um meio e jamais o fim. O pecado não está na prosperidade, mas em fazer dela o alvo. Em Cristo, nossa visão é ampliada para além do horizonte material; nossa Jerusalém não é aquela disputada por três religiões no Oriente Médio, mas a Jerusalém do Alto.
Cuidado para não se perder em um "Cristianismo Judaizado". Você pode estar enterrando o seu umbigo em conquistas temporais e se esquecendo de que, se a nossa esperança se limita ao que se vê, somos os mais miseráveis dos homens. Não troque a substância pela sombra.
Que Deus continue te abençoando.
Alisson Lourenço Pastor, Teólogo, Cientista da Religião e Psicanalista
Bibliografia:
DUNN, James D. G. A Teologia do Apóstolo Paulo. São Paulo: Paulus, 2003. (Obra fundamental para entender a relação entre Lei e Evangelho na perspectiva paulina).
GONZÁLEZ, Justo L. A Era dos Apóstolos. São Paulo: Vida Nova. (Para a análise histórica da separação entre o Cristianismo primitivo e as raízes judaicas).
MACARTHUR, John. Comentário Bíblico de Gálatas. (Para uma visão exegética rigorosa sobre o conceito do "aio" e a liberdade em Cristo).
MARIANO, Ricardo. Neopentecostais: Sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. São Paulo: Loyola. (Para fundamentar a crítica ao uso de elementos judaicos na teologia da prosperidade contemporânea).
STOTT, John. A Mensagem de Romanos. São Paulo: ABU Editora. (Para aprofundar a tensão entre o sofrimento presente e a glória eterna mencionada no texto).
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