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32 - Igreja Congregacional e Robert Reid Kelley (1809 - 1888)

(1809 - 1888)

No campo da historiografia eclesiástica, é perfeitamente válido afirmar que, durante as décadas de 1850 a 1870, a biografia de Robert Reid Kalley e a história da Igreja Congregacional no Brasil são fios da mesma meada. Kalley não foi apenas um fundador; ele foi o arquiteto da matriz teológica e estrutural que permitiu o nascimento de uma igreja genuinamente brasileira, sem dependência financeira ou administrativa de sociedades missionárias estrangeiras.

Robert Reid Kalley e a Gênese do Congregacionalismo Brasileiro: Uma Simbiose Histórica

A história da Igreja Congregacional no Brasil não é um relato de expansão denominacional vinda de fora, mas o resultado da fenomenologia missionária de um homem: o médico escocês Robert Reid Kalley. Entre 1855 e 1876, a vida de Kalley funde-se com a própria fundação do protestantismo em língua portuguesa no país.

1. O Marco Zero: Petrópolis e a Escola Dominical (1855)

Diferente das igrejas de imigração (como a Luterana e a Anglicana), o trabalho de Kalley focou na evangelização de brasileiros. Em 19 de agosto de 1855, em Petrópolis, ele e sua esposa, Sarah Poulton Kalley, fundaram a primeira Escola Bíblica Dominical do Brasil. Este evento não foi apenas um ato pedagógico, mas o embrião da estrutura congregacional, onde o ensino bíblico se tornaria a base para a autonomia das comunidades locais.

2. A Igreja Evangélica Fluminense (1858): A Primeira Célula

Em 11 de julho de 1858, Kalley organizou no Rio de Janeiro a Igreja Evangélica Fluminense (IEF). Foi a primeira igreja protestante a realizar seus cultos inteiramente em português e a batizar o primeiro brasileiro, Pedro Nolasco de Andrade. A IEF é a "igreja-mãe" do congregacionalismo brasileiro. Sua autonomia administrativa — uma marca do sistema de governo congregacional — refletia o desejo de Kalley de que a igreja fosse autossustentável e autogovernada desde o berço.

3. Os 28 Artigos e a Identidade Doutrinária

Em 1876, ao se despedir do Brasil, Kalley deixou um legado teológico consolidado na "Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo", contendo 28 artigos de fé. Este documento tornou-se a bússola doutrinária das igrejas que viriam a formar a União das Igrejas Evangélicas Congregacionais (UIECB). A identidade congregacional brasileira, portanto, não nasceu de um estatuto internacional, mas da pena de um missionário que entendeu as nuances do contexto imperial brasileiro.

4. Expansão e Nacionalização

A biografia de Kalley encerra-se no Brasil em 1876, mas sua história continua através da expansão para o Nordeste, com a fundação da Igreja Evangélica Pernambucana (1873) em Recife. O congregacionalismo seguiu o rastro de Kalley, caracterizando-se por um movimento inteiramente nacional, que pavimentou o caminho para o que você hoje pesquisa como o recorte histórico e político da fé evangélica no Brasil.


Bibliografia: História Congregacional

  • FORSYTH, William B. Jornada no Império: Vida e Obra do Dr. Kalley no Brasil. São José dos Campos: Fiel, 2006. (A biografia definitiva para entender o período de 1855-1876).

  • ROCHA, João Gomes da. Lembranças do Passado. Rio de Janeiro: Centro de Publicações da UIECB, 1944. (Relato histórico escrito por um contemporâneo e discípulo de Kalley).

  • EVERY-CLAYTON, Joyce E. Winifred. Um grão de mostarda: documentando os inícios da Igreja Evangélica Pernambucana. Recife: Bagaço, 2002.

  • MATOS, Alderi Souza de. Robert Reid Kalley: Pioneiro do Protestantismo Missionário na Europa e nas Américas. São Paulo: Mackenzie, 2003. (Artigo acadêmico que analisa a transição da Ilha da Madeira para o Brasil).

  • MENDONÇA, Antônio Gouvêa. O Celeste Porvir: A Inserção do Protestantismo no Brasil. São Paulo: ASTE, 1990. (Analisa a influência cultural e educacional de Kalley e Simonton no Império).

  • CARDOSO, Douglas Nassif. Robert Reid Kalley: Médico, Missionário e Reformador. (Focado na atuação social e médica de Kalley).


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TEXTO ORIGINAL DE 2016

Quem Somos

A origem da UIECB está no trabalho missionário realizado pelo casal Robert Reid Kalley e Sarah Poulton Kalley, que chegaram à cidade do Rio de Janeiro, capital do Império do Brasil, em 10 de maio de 1855 para iniciarem nessa no Brasil um trabalho que duraria 21 anos e 57 dias.

O casal Kalley, chegado ao Rio, foi instalar-se em Petrópolis, numa casa conhecida como GERNHEIM, que significa, “Lar muito amado”. Nessa mesma casa, em 19 de agosto de 1855, um domingo à tarde, Kalley e sua esposa instalaram a primeira classe de Escola Dominical, contando com cinco crianças, filhos de cidadãos americanos. Foi contada a história do profeta Jonas.

Com o desenvolvimento do trabalho, Kalley escreveu a amigos e antigos companheiros que estavam em Ilinnois, convidando-os a virem auxiliá-lo no Brasil. O primeiro a chegar foi Wiliam Deatron Pitt, jovem inglês que havia sido.

O primeiro crente batizado pelo Dr. Kalley foi o português José Pereira de Souza Louro, em 8 de novembro de 1857. Mas foi em 11 de julho de 1858 que ele organizou a primeira igreja evangélica de regime congregacionalista no Brasil: A Igreja Evangélica Fluminense. Foi organizada com 14 membros tendo sido batizado naquele dia o sr. Pedro Nolasco de Andrade, primeiro brasileiro batizado por Kalley.

Evangelistas e colportores preparados por Kalley espalharam a mensagem do Evangelho por diferentes áreas do país, chegando à região do Nordeste, propriamente na cidade do Recife em Pernambuco, onde o próprio Kalley organizou a Igreja Evangélica Pernambucana no ano de 1873 e, à partir destas duas igrejas, outras foram implantadas em outras cidades.

Kalley deixou um grande legado não só para as igrejas que se originaram de seu ministério, mas também para todo o Protestantismo brasileiro. Através de sua luta, em um período onde não havia liberdade religiosa, alcançou conquistas substanciais que passaram a constituir um legado para todos os brasileiros acatólicos e para a história do direito civil brasileiro. O casamento civil, a utilização de cemitérios públicos e o registro dos filhos de pessoas não-católicas foram conquistas que realçaram a liberdade religiosa brasileira até os dias de hoje. Deixou também uma hinologia básica para várias denominações comporem os seus hinários.

Kalley voltou para a Escócia em 10 de julho de 1876, tendo deixado à Igreja Evangélica Fluminense uma súmula doutrinária composta por 28 artigos conhecida como “Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo” e João Manoel Gonçalves dos Santos foi seu substituto no pastorado da mesma Igreja.

Kalley veio a falecer em 7 de janeiro de 1888. Mesmo depois de sua morte, D. Sarah Kalley cria a Help for Brazil Mission, com o objetivo de enviar obreiros para trabalharem juntos às igrejas fundadas por Kalley.

No ano de 1913, treze igrejas locais originárias do trabalho do casal Kalley se reuniram e formaram a União das Igrejas Evangélicas Indenominacionais, que mais tarde passaram a ser chamadas Congregacionais. Essas igrejam possuiam em comum a forma de governo congregacional e subscreviam como declaração de fé a Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo.

A partir de 1942 as igrejas Congregacionais estiveram unidas à Igreja Cristã Evangélica do Brasil (ICEB), formando uma denominação que veio a se chamar União das Igrejas Evangélicas Congregacionais e Cristãs do Brasil (UIECCB). Esta união durou até janeiro de 1968. Em 1969 foi aprovada a nova Constituição da nova entidade que agregara as igrejas congregacionais do país – União das Igrejas Evangélicas e Congregacionais do Brasil.


A IECB foi fundada em 11 de Janeiro de 1942 em Linha Morengaba, Panambi - RS, por sete comunidades livres que não pertenciam a nenhuma convenção:

  • Morengaba, Panambi
  • Linha 27, Ijuí
  • Padre Gonzales, Três Passos
  • Cerro Largo, Guarani
  • Ati-Açú, Sarandi
  • Marupiara, Paraíso do Sul
  • Nova Boêmia, Agudo

Começavam assim a surgir os congregacionais do sul, que recebiam no princípio apoio logístico da Argentina e dos Estados Unidos. A IECB existe portanto a mais de 60 anos no Brasil.

Desde o princípio, e até hoje, a IECB está constituída sob a seguinte base de fé: 


Cremos num Deus Trino:
  • Deus Pai, Criador e Mantenedor de todas as coisas
  • Deus Filho, como Salvador e Remidor da Humanidade pela sua morte na Cruz
  • Deus Espírito Santo como agente santificador

Cremos na bíblia como a infalível palavra de Deus ao seu povo, escrita por homens inspirados pelo Espírito Santo.

Cremos no Céu como lugar onde Cristo está à direita de Deus e para onde levará a sua Igreja.

Cremos no Inferno, lugar onde Satanás e os Demônios serão lançados juntamente com todos aqueles que se afastarem de Deus.

Cremos nos Anjos como seres espirituais que executam as ordens de Deus e comandam o louvor na presença do Pai.

Cremos na vida eterna como dom gratuito de Deus por meio da Fé em Jesus, único nome no qual há Salvação, como também na condenação eterna daqueles que rejeitarem a Cristo nesta vida.

Cremos na imortalidade do Espírito e que a Fé é dom de Deus, que precisa provar-se pelas obras, e que um novo nascimento é imprescindível.

Cremos no arrebatamento e no regresso de Cristo bem como em todos os acontecimentos relacionados a Ele.

Cremos na indissolubilidade do casamento.

Cremos num único Batismo, o qual representa a aceitação na aliança da graça e a a inscrição na escola de Cristo, não tendo o poder salvífico e nem sendo perdoador de pecados.

Cremos que a Santa Ceia é a prática verdadeira da comunhão da Igreja com seu Senhor e dos crentes entre si através do pão e do vinho, que significam o corpo e o sangue de Cristo. Podem participar dela somente os que estão em ordem com Deus e com seus irmãos.

Cremos na ressureição de Cristo e na sua volta, quando seremos revestidos de corpo incorruptível para novo Céu e nova Terra.

Cremos na Oração como meio de comunicação com Deus e como forma de agradecimento, louvor e intercessão, e também no valor do jejum em casos secretos e específicos como Jesus ensinou.

Cremos nos dons naturais e carismáticos, bem como nos sinais e milagres de Deus.

Cremos na plenitude do Espírito Santo, que acontece à medida da nossa consagração: quanto mais nos consagramos a Deus, mais Ele inunda nosso ser. 





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