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62 - Hudson Taylor (1832 - 1905)



Hudson Taylor: O Pioneiro no Coração da China e o Exemplo de Dependência Divina

O Chamado de um Jovem de Fé

James Hudson Taylor (1832–1905) nasceu em Yorkshire, Inglaterra, em um lar metodista que já orava fervorosamente pela evangelização da China. Embora tenha passado por um período de ceticismo na adolescência, aos 17 anos experimentou uma conversão profunda ao ler um folheto evangelístico no escritório de seu pai. Quase simultaneamente à sua conversão, Taylor sentiu um chamado irresistível: ele deveria dedicar sua vida à China.

Diferente de muitos de sua época, Taylor começou sua preparação de forma prática e radical. Ele estudou medicina, grego, hebraico e teologia, ao mesmo tempo em que treinava o próprio corpo e a alma para a privação, vivendo em bairros pobres de Londres e economizando cada centavo para a futura missão, aprendendo a depender unicamente de Deus para suas provisões.

A Chegada e a Estratégia de Contextualização

Em 1853, com apenas 21 anos, Taylor embarcou para a China pela Sociedade de Evangelização Chinesa. Ao chegar em Xangai, deparou-se com um país em meio a guerras civis e uma barreira cultural imensa. Foi nesse período que ele tomou uma decisão escandalosa para os missionários europeus da época: ele adotou a cultura chinesa.

Taylor raspou a frente da cabeça, deixou crescer uma trança longa, passou a vestir trajes de seda típicos e a comer com pauzinhos. Ele compreendeu que, para ganhar o coração dos chineses para Cristo, deveria remover todos os obstáculos culturais desnecessários. Sua máxima era: "Tornemo-nos chineses em tudo o que não for pecado, para que possamos salvar alguns".

A Fundação da Missão para o Interior da China (CIM)

Após um período de retorno à Inglaterra por motivos de saúde, Taylor fundou, em 1865, a Missão para o Interior da China (China Inland Mission - CIM). Sua visão era audaciosa: enquanto a maioria das missões se concentrava nas cidades costeiras protegidas por tratados internacionais, Taylor queria levar o Evangelho para as províncias do interior, onde milhões nunca haviam ouvido o nome de Jesus.

Os princípios da CIM eram revolucionários:

  • Fé Pura: Não haveria pedidos de fundos ou salários fixos; os missionários dependeriam apenas das respostas de Deus às suas orações.

  • Liderança em Campo: As decisões seriam tomadas na China, não por um comitê distante na Europa.

  • Identificação Cultural: Todos os missionários deveriam adotar o vestuário e os costumes locais.

Provações e a "Vida Cristã Normal"

A vida de Taylor foi marcada por sacrifícios imensos. Ele perdeu sua primeira esposa, Maria Dyer, e vários de seus filhos para doenças tropicais. Ele enfrentou motins, a sangrenta Revolta dos Boxers e críticas severas de seus pares. No entanto, foi em meio a essas crises que ele desenvolveu sua teologia da "Vida Cristã Normal" — a percepção de que a força para a missão não vinha do esforço próprio, mas do descanso em Cristo e da união vital com Ele.

Legado e Transformação Global

Hudson Taylor passou 51 anos servindo à China. Sob sua liderança, a CIM enviou mais de 800 missionários, estabeleceu centenas de estações evangelísticas e batizou dezenas de milhares de chineses. Ele não apenas mudou a história da China, mas influenciou gerações de missionários e líderes, como Amy Carmichael e os "Sete de Cambridge".

Ele faleceu em 1905, em Changsha, no coração da China que tanto amou. Seu legado permanece como o padrão ouro para as missões transculturais modernas e um lembrete de que "a obra de Deus, feita à maneira de Deus, nunca carecerá dos recursos de Deus".


Bibliografia:

Para um estudo profundo sobre Hudson Taylor e o movimento missionário na Ásia, recomendam-se as seguintes obras:

  • BOYER, Orlando S. Heróis da Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2018.

  • BROOMHALL, A. J. Hudson Taylor and China’s Open Century. Volumes 1-7. Londres: Hodder & Stoughton, 1981-1989. (A pesquisa biográfica mais exaustiva já produzida).

  • FERREIRA, Franklin. A Igreja Cristã na História: Das origens aos dias atuais. São Paulo: Vida Nova, 2013.

  • STEEER, Roger. Hudson Taylor: Um Homem em Cristo. São José dos Campos: Fiel, 2001. (Excelente biografia focada na espiritualidade de Taylor).

  • TAYLOR, Dr. e Sra. Howard. A História de Hudson Taylor. (2 Volumes). Venda Nova: Editora Fiel, 1991. (Escrita por seu filho e nora, oferece uma visão íntima e espiritual).

  • TAYLOR, James Hudson. Um Retiro Espiritual: O Segredo da Alegria e da Força em Cristo. São Paulo: Vida, 2004.

  • TAYLOR, James Hudson. Union and Communion. (Comentário sobre Cantares de Salomão que reflete sua teologia mística).

  • WORSLEY, Howard J. Hudson Taylor: Missionary to China. Oxford: Lion Hudson, 2011.




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TEXTO ORIGINAL DE 2017 

James Hudson Taylor, nasceu em 1832, na cidade de Barnsley, em Yorkshire, na Inglaterra. Era de família metodista, e recebeu muita influência espiritual de seus pais e avós, bem como seus irmãos William e Amélia. Seu pai, um farmacista, sempre teve preocupação com a condição espiritual da China, e sempre que tinha oportunidade, realizava reuniões especiais para discutir como poderia ajudar aquele tão grande país. Quando Hudson tinha apenas cinco anos, ele disse ao seu pai: “Quando eu crescer serei um missionário na China”. Apesar desta afirmação, os anos de adolescência de Hudson foram conturbados, e as influências de amigos não lhe ajudaram. Porém, sua mãe e irmã não cessavam de interceder por ele.


Conversão e Chamada 

Em junho de 1849, aos dezessete anos, ao ler um folheto escrito pelo seu pai acerca da obra de Cristo, Hudson compreendeu o plano da salvação, e como resultado, entregou sua vida a Jesus. Neste mesmo ano, sentiu a chamada do Senhor para trabalhar como missionário na China. Ao dizer sim à chamada, começou a se preparar em todos os aspectos de sua vida, a fim de atingir o objetivo de evangelizar a China. Logo começou a aprender o Mandarim através de uma cópia do Evangelho de Lucas. Hudson também soube da grande necessidade de médicos na China, e assim começou a estudar medicina, a fim de estar preparado para o campo em que iria trabalhar. Seu treinamento médico começou na cidade de Hull e continuou em Londres. Além disso, estudou Teologia, Latim e Grego. Por saber que deveria depender totalmente de Deus para o seu sustento diário na China, Hudson muitas vezes colocava-se em situações para provar sua própria fidelidade e confiança em Deus. Enquanto estava em Hull, vivia basicamente se alimentando de aveia e arroz, e grande parte do seu salário ofertava para a obra do Senhor. Um certo dia, quando evangelizava os pobres, um certo homem lhe pediu que fosse orar por sua esposa que estava morrendo em casa. Ao chegar ali, viu uma casa cheia de crianças passando fome, e a mãe que estava muito enferma. Compadecido daquela situação, depois de orar, tirou do seu bolso a única moeda que tinha, o sustento da semana, e ofereceu ao casal. Milagrosamente, naquele mesmo dia, alguém lhe procurou e trouxe um envelope cheio de dinheiro. Esta experiência ensinou a Hudson Taylor que Deus era o seu provedor.

Partida Para China

No dia 19 de setembro de 1853, com 21 anos, e associado à Sociedade de Evangelização Chinesa, Hudson Taylor partiu para a China a bordo do navio de carga chamado Dumfries. Após seis longos meses de viagem com intempéries e perigos de morte, ele chega finalmente em Xangai. Ao juntar-se com outros missionários ingleses, residentes daquela mesma cidade, Hudson notou a grande deficiência da evangelização no interior do país. Nesta época, a China estava passando por momentos tumultuosos, e Xangai havia sido tomada por rebeldes. Por isso, todos os missionários estavam nas cidades da costa, e envolvidos mais com o comércio e a política externa, do que verdadeiramente com a evangelização da nação.
Ponderando tudo isso em seu coração, Hudson decidiu que haveria de trabalhar no interior da China, onde o evangelho não tinha sido levado. Assim, ele começou o seu trabalho distribuindo literatura e porções bíblicas para as vilas ao redor de Xangai, sendo uma delas Sungkiang. Ao estar no meio do povo, ele notou como as pessoas o olhavam diferente por causa de sua roupa ocidental. Sendo assim, ele decidiu adotar os costumes da terra, vestindo-se como um chinês, deixando seu cabelo crescer e fazendo uma trança, como os outros chineses. Este ato conquistou o respeito de muitos chineses, porém, para os missionários ocidentais, uma falta de senso.
Em 1856, Hudson começou a trabalhar na cidade proeminente de Ningpo. Ali, se casou em janeiro de 1858 com a senhorita Maria J. Dyer, filha de missionários, porém orfã, que trabalhava numa escola para meninas. Um ano depois, Hudson assumiu a direção da Missão Hospitalar de Londres em Ningpo. Não só Deus o prosperou, como muitos dos doentes aceitaram a Jesus e se recuperaram de suas enfermidades. Ele começou a orar por mais missionários para o país.

Volta à Inglaterra

Depois de estar sete anos na China, Hudson regressou à Inglaterra por motivos de saúde. Ao partir em 1860 para a Inglaterra, não imaginava que estaria seis anos longe do campo. Apesar da distância, o seu coração estava ligado à China. De frente a um mapa da nação, todos os dias ele orava, pedindo que Deus enviasse pessoas dispostas a ganhar as almas chinesas. Juntamente com o Sr. F. Gough, Hudson fez a revisão do Novo Testamento para o chinês e escreveu vários artigos sobre as missões na China.

Os Anos de Provação

Ao recrutar alguns missionários, Taylor viu a necessidade de ter uma missão que suportasse e direcionasse esses novos missionários no interior da China. Para este fim, é que a “Missão para o Interior da China” foi fundada. Durante o tempo que esteve na Inglaterra, enviou cinco obreiros para a China, e em 1864, Hudson pediu a Deus 24 missionários, dois para cada província já evangelizada no interior e dois para a Mongólia. Deus assim cumpriu o seu desejo, e em 26 de maio de 1866, Hudson e Maria, seus quatro filhos e os 24 missionários estavam embarcando no navio Lammermuir
em direção à China. Estabelecidos em Ningpo e em Hangchow, o trabalho missionário começou a se expandir para o sul da província de Chekiang. Dez anos depois, o norte de Kiangsu, o oeste de Anhwei e o sudeste de Kiangsi tinham sido alcançados. Em um período de três anos, Hudson sofreu a perda de sua filha mais velha Gracie, seu filho Samuel, seu filho recém-nascido, e em julho de 1870, sua esposa também morre de cólera. Mesmo passando por este vale, Hudson Taylor não desistiu de sua chamada para a grande China.

Novos Horizontes

Em 1871, quando voltava para visitar o restante de seus filhos que haviam sido enviados à Inglaterra, Taylor teve a oportunidade de viajar com uma grande amiga e missionária na China, Jennie Faulding, com a qual se casou em 1872 na Inglaterra. Entre 1876 e 1878 muitos outros missionários vieram dar o seu apoio no campo, vindos de todas as partes do mundo. Hudson esteve por alguns meses acometido de uma enfermidade na coluna, a qual o paralisou, porém, ainda na cama, ele conseguiu enviar dezoito novos missionários para a China. Milagrosamente, depois de muitas orações, Deus o curou e ele voltou a caminhar com saúde completa. Em 1882, Hudson orou ao Senhor por 70 missionários, e fielmente Deus proveu os missionários e o suporte para cada um deles. Em 1886, Hudson toma outro passo de fé, e pede ao Senhor 100 missionários. Milagrosamente, 600 candidatos se escreveram vindos da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda, se prontificando para o trabalho. Em novembro de 1887, Hudson anuncia alegremente a partida dos cem missionários para a China.
O trabalho da Missão se espalhou por todo o interior do país, segundo o desejo de Hudson Taylor, e no final do século, metade de todos os missionários evangélicos do país estavam ligados à Missão.

Sua Última Viagem

Em outubro de 1888, depois de haver visitado os Estados Unidos e Canadá, Hudson parte mais uma vez em direção à China, acompanhado de sua esposa e mais 14 missionários. Durante os próximos quinze anos, Hudson dispendeu o seu tempo visitando a América, Europa e Oceania, recrutando missionários para China. O desafio agora não era apenas de cem, mas de mil missionários.
Sua Última Viagem Em abril de 1905, com 73 anos, Hudson Taylor faz a sua última viagem à China. Sua esposa Jennie havia falecido, e ele tinha passado o inverno na Suécia. Seu filho Howard, que era médico, juntamente com sua esposa, decidiram acompanhar Hudson nesta viagem. Ao chegar em Xangai, ele visita o cemitério de Yangchow, onde sua esposa Maria e quatro de seus filhos foram sepultados, durante o seu trabalho naquele grande país. Após haver percorrido todos as missões estabelecidas pela sua pessoa, Hudson Taylor, estabelecido agora na cidade de Changsa, deitou-se numa tarde de 1905 para descansar, e deste sono acordou nas mansões celestiais.
A voz que cinquenta e dois anos atrás havia dito a Hudson Taylor: “Vai à China”, agora estava dizendo: “Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco fostes fiel, sobre muito te colocarei; ENTRA NO GOZO DO TEU SENHOR!” 

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