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33 - Igreja Universal do Reino de Deus

A história da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), conforme detalhada em seu portal, é um dos estudos de caso mais fascinantes da historiografia religiosa brasileira contemporânea. Ela narra a transição de um movimento local, nascido nos subúrbios cariocas, para uma organização transnacional com vasta influência midiática e social.

Abaixo, apresento a atualização organizada dessa trajetória, preservando os marcos fundamentais do texto original e integrando-os a uma estrutura narrativa acadêmica:


Igreja Universal do Reino de Deus (IURD): Do Coreto ao Cenário Global

A trajetória da Igreja Universal é marcada por um pragmatismo evangelístico e uma capacidade de adaptação urbana sem precedentes no Brasil. Fundada em 1977, a denominação redefiniu as fronteiras entre religião, comunicação e assistência social.

1. O Início: O Coreto e a Funerária (1977)

A gênese da IURD remonta aos sábados no coreto do bairro do Méier, no Rio de Janeiro. Ali, Edir Macedo Bezerra iniciou suas pregações públicas com apenas um teclado e uma Bíblia. Este período "primitivo" foi essencial para a formatação da linguagem direta que a igreja adotaria.

Em 9 de julho de 1977, a primeira sede oficial foi estabelecida em uma antiga funerária no bairro da Abolição. A escolha de galpões e espaços civis para a instalação de templos tornou-se uma marca registrada, simbolizando a ocupação do espaço público pelo sagrado. A expansão inicial levou a igreja à Avenida Suburbana, transformando uma antiga fábrica de móveis no "Grande Templo da Abolição".

2. Expansão Midiática e Grandes Concentrações

A partir da década de 1980, a IURD iniciou um crescimento vertiginoso, movida pelo uso estratégico do rádio e, posteriormente, da televisão (com a aquisição da Rede Record). As "concentrações de fé" tornaram-se fenômenos de massa, lotando estádios como o Maracanãzinho e, mais recentemente, o Autódromo de Interlagos (Dia D, 2010), mobilizando milhões de fiéis simultaneamente.

3. Conflitos, Prisão e Consolidação (1992)

O ano de 1992 é um marco crítico na biografia da denominação e de seu fundador. A prisão de Edir Macedo, embora tenha sido um momento de intensa perseguição e exposição negativa na mídia, acabou por consolidar a identidade de "perseverança" da igreja. A posterior inocência e a publicação da trilogia de memórias Nada a Perder transformaram este episódio em um pilar da narrativa de superação da IURD.

4. A Obra Social e o Alcance Transnacional

A IURD transcendeu as fronteiras brasileiras, estabelecendo-se em quase 100 países. O foco social é uma extensão da sua teologia prática:

  • África: Atuação intensa na África do Sul e Zâmbia, com foco no combate à fome, assistência a pacientes com HIV/Aids e tuberculose, e resgate de moradores de rua.

  • Terceira Idade (Grupo Calebe): Um trabalho de referência no Japão e em Portugal, combatendo a solidão de idosos através de terapia ocupacional e apoio emocional.

  • Juventude (FJU): Mobilização de jovens para atividades culturais e esportivas, prevenindo o envolvimento com a criminalidade.

5. Edir Macedo: O Pensamento e a Obra

A liderança de Edir Macedo é caracterizada por uma formação que une o serviço público (Loterj e IBGE) ao rigor teológico. Seus livros, como Orixás, Caboclos e Guias e Nos Passos de Jesus, são ferramentas de doutrinação que definiram o combate espiritual característico da denominação. O projeto do Templo de Salomão, em São Paulo, simboliza o ápice desse esforço de materialização da fé e da visibilidade institucional.


Bibliografia: (Historiografia e Sociologia da Religião)

Para sustentar o rigor histórico do portal, aqui estão as referências fundamentais sobre a IURD:

Fontes Primárias (Autobiográficas e Doutrinárias):

  • MACEDO, Edir. Nada a Perder: Momentos de convicção que mudaram minha vida (Volumes 1, 2 e 3). São Paulo: Planeta, 2012-2014.

  • MACEDO, Edir. Nos Passos de Jesus. Rio de Janeiro: Unipro, 2003. (O manual de conduta e fé da Universal).

  • MACEDO, Edir. Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?. Rio de Janeiro: Unipro. (Obra fundamental para entender a demonologia da IURD).

Análise Acadêmica (Contexto e Política):

  • CAMPOS, Leonildo Silveira. Teatro, Templo e Mercado: Organização e marketing de um empreendimento neopentecostal. Petrópolis: Vozes, 1997. (A análise sociológica definitiva sobre o modelo de gestão da IURD).

  • MARIANO, Ricardo. Neopentecostais: Sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. São Paulo: Loyola, 1999. (Situa a IURD na evolução do pentecostalismo brasileiro).

  • ORO, Ari Pedro. A Política da Igreja Universal e seus Reflexos nos Campos Religioso e Político Brasileiros. (Essencial para o seu recorte sobre religião e política).

  • FRESTON, Paul. Evangélicos e Política no Brasil. Curitiba: Encontros Teológicos, 1994. (Contextualiza a entrada da IURD nas instâncias de poder).




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TEXTO ORIGINAL DE 2015

História da Universal

O coreto

Tudo começou em um coreto no subúrbio do Rio de Janeiro. Com teclado, microfone e uma Bíblia, o então pastor Edir Macedo Bezerra ia todos os sábados ao bairro do Méier. Subia os sete degraus do coreto e pregava para poucos. Eram os primeiros passos da Igreja Universal, que teve como principal incentivadora a senhora Eugênia, mãe do hoje bispo Edir Macedo. 

A funerária

A primeira igreja foi erguida onde funcionava uma antiga funerária, no bairro da Abolição, também no Rio de Janeiro. O primeiro culto foi realizado naquele local, em 9 de julho de 1977. A ajuda dos primeiros membros foi fundamental. Albino da Silva encontrou o imóvel. Dona Lindalva doou o ventilador.
Uma antiga fábrica de móveis no número 7.702 da Avenida Suburbana foi alugada, parecendo ser o local ideal para iniciar a Obra. O galpão se tornou o grande templo da Abolição, com capacidade inicial para 1,5 mil fiéis. Mas logo precisou ser ampliado e, atualmente, comporta 2 mil pessoas confortavelmente sentadas.





O batismo

Logo nos primeiros anos, a nova Igreja atraiu milhares de pessoas, simbolicamente convertidas sempre com a imersão na água (cerimônia conhecida pelos cristãos como batismo). A procura foi tamanha que, pouco tempo depois da inauguração do primeiro templo, foi necessário mudar para um imóvel maior, na rua da antiga funerária.

O povo

Com o crescimento vertiginoso, a Igreja decidiu reunir em um mesmo local seguidores de diversos templos, nas chamadas concentrações. Uma das mais conhecidas foi realizada no Maracanãzinho (Rio de Janeiro), que ficou lotado.

A prisão

A expansão da Igreja Universal, visível após o investimento em meios de comunicação e a organização de grandes eventos, gerou forte preconceito religioso. Os ataques colocaram o bispo Edir Macedo na prisão. Alguns anos depois, a Justiça o inocentou de todos os processos e inquéritos que o levaram à cadeia.

As grandes concentrações

Iniciadas em 1987, as concentrações viraram costume entre seguidores da Universal. O evento chamado “Dia D – Dia da Decisão”, realizado em 2010, levou ao Autódromo de Interlagos, na capital paulista, mais de 2 milhões de pessoas, e outros 2 milhões à Enseada de Botafogo, no Rio de Janeiro.

Universal no mundo

“... Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mateus 22.39) A frase é curta, mas é um dos mais importantes mandamentos de Deus. Ciente disso, a Universal faz essas palavras valerem na prática.
Muito além do trabalho de pregar os preceitos da Bíblia para a manutenção da vida espiritual, a instituição age diretamente na melhoria da qualidade de vida de fiéis, e mesmo daqueles que não frequentam a Igreja, nos diversos países em que atua.
Há necessidades básicas que influenciam positivamente quando satisfeitas: alimentação, saúde, higiene, cultura... Tudo isso faz parte da tão falada vida plena. A Universal providencia recursos para satisfazer essas carências em comunidades às vezes esquecidas pelas autoridades, ou para pessoas ignoradas por suas próprias famílias.

Fome de vida

Todas as noites, 842 milhões de pessoas (de acordo com relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas – ONU – em 2013) vão dormir com fome em todo o planeta – o equivalente a um ser humano a cada oito no mundo, neste mesmo ano. Com base nisso, o Centro de Ajuda Pare de Sofrer, na África do Sul, une voluntários treinados e credenciados pelo governo local para distribuir comida, roupas e cobertores a comunidades carentes.
Mas a fome não é o único problema. Boa parte da população sul-africana está contaminada com o vírus da aids ou com tuberculose. Na tentativa de conter o avanço da aids, o Centro de Ajuda distribui preservativos e realiza campanhas de prevenção.
Um trabalho bem parecido é feito na Zâmbia, também na África, onde o Força Jovem Universal (FJU) visita hospitais e dá atenção coletiva e individual a internos. Além do carinho, a juventude da Universal leva material de higiene e alimentos. No mesmo país, entidades como orfanatos e asilos são abastecidas pelo grupo da Igreja, e moradores de rua são resgatados de uma vida em meio ao lixo e à degradação física, moral e espiritual. Vários hoje moram em um espaço próprio, com tudo de que precisam.

Países ricos também querem qualidade de vida

Mas não só países em grandes dificuldades têm necessidades. Em Portugal, por exemplo, qualquer ajuda é bem recebida em tempos de crise, ainda que a qualidade de vida no país europeu seja considerada boa.
No Dia da Criança local, por exemplo, comemorado em junho, a Universal promove, nas principais cidades portuguesas, por meio de sua Escola Bíblica Infantojuvenil (EBI) e da Turminha da Fé Teen (TF Teen), eventos especiais para receber crianças e seus familiares com muita alegria.
Já no Japão, entre outros problemas, a terceira idade não tem a devida atenção, por exemplo. O Grupo Calebe, projeto da Universal voltado aos idosos em vários países, constantemente promove palestras sobre saúde e bem-estar para eles. A ajuda é bem-vinda: uma em cada cinco pessoas com mais de 65 anos no país asiático vive sozinha, em constante solidão.
É aí que entra o Calebe, com terapia ocupacional, atividades físicas, passeios turísticos e vários outros programas. A solidão é combatida diretamente: pessoas que nem a família visita mais recebem os voluntários, que as ajudam nas compras, levam a exames médicos e as auxilia no transporte para a igreja e para as suas casas.
Há muitas outras iniciativas da Universal nos quase 100 países ao redor da Terra em que a Igreja está presente, sem as quais, milhões ainda estariam sofrendo – e outros que ainda sofrem não veriam um horizonte promissor, como passaram a ver. São pessoas que voltaram a sonhar, a querer, e hoje sabem que é possível realizar.

História do bispo Macedo

O fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, bispo Edir Macedo, nasceu no Rio de Janeiro. Em 1963, iniciou a carreira profissional como funcionário público. Tornou-se contínuo na Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) e trabalhou no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como pesquisador no censo econômico de 1970. Chegou a completar 16 anos de carreira como funcionário público, mas deixou o cargo para se dedicar à Obra de Deus, o que, na época, foi considerado por algumas pessoas uma loucura.
É casado com Ester Bezerra, com quem tem duas filhas biológicas, Cristiane e Viviane, e um filho adotivo, Moysés. Edir Macedo sempre faz questão de falar sobre o apoio da esposa. Ele diz que a mulher desempenha um papel importante na família. Ela educa os filhos para serem homens de fé, cuida do marido, da casa, enfim, vive um dia a dia agitado. Porém, o diferencial da mulher de Deus é que ela faz tudo com a direção do Senhor.
Edir Macedo possui uma vasta formação acadêmica: é graduado em teologia, pela Faculdade Evangélica de Teologia Seminário Unido e pela Faculdade de Educação Teológica no Estado de São Paulo (Fatebom). Fez doutorado em teologia, filosofia cristã e é Honoris Causa em divindade, além de ter feito mestrado em ciências teológicas na Federación de Entidades Religiosas Evangélicas de España (FEREDE), em Madri, capital da Espanha.
Hoje, reconhecido como um dos líderes evangélicos mais conceituados do mundo, já realizou concentrações que reuniram milhões de pessoas. Entre as várias obras sociais feitas, se destaca a arrecadação de 700 toneladas de alimentos não perecíveis para as comunidades carentes, em um evento ocorrido no Vale do Anhangabaú, na capital paulista.
Como escritor evangélico, Edir Macedo se destaca com mais de 10 milhões de livros vendidos, divididos em mais de 30 títulos, sobressaindo-se os best sellers "Orixás, caboclos e guias" e "Nos passos de Jesus", que atingiram a marca de mais de 3 milhões de exemplares vendidos, e, mais recentemente, o primeiro e o segundo volumes de seu livro de memórias, “Nada a Perder”.

Fenômeno editorial

O lançamento dos dois primeiros livros da sua trilogia de memórias promoveu uma grande revolução no mercado editorial.
A obra “Nada a Perder”, da Editora Planeta, é baseada em longa entrevista concedida ao jornalista Douglas Tavolaro.
Na autobiografia, o fundador da Universal fala sobre questões polêmicas, dificuldades enfrentadas, momentos de perseguição e de superação e revela segredos guardados por décadas, além de detalhes íntimos de sua vida. Inclusive, traz sua versão para fatos polêmicos, como a prisão em 1992, e narra detalhes e lições que tirou dos 11 dias em que ficou atrás das grades, em companhia de presos comuns.
O primeiro livro foi lançado em diversas cidades do Brasil e alcançou todos os recordes de vendas por onde passou, tornando-se um fenômeno em 2012, repetindo o sucesso em outros países. Por muitos meses se manteve no topo da lista dos mais vendidos.
Artistas, políticos, autoridades, pessoas comuns, todos estavam curiosos para saber quem é o homem que não deixa sua fé ser abalada, mesmo diante de tanta perseguição.
O “Nada a Perder 2” repetiu o sucesso do volume 1. Nele, assuntos como a compra da primeira rádio e da TV Record, a construção da réplica do Templo de Salomão, entre outros, são abordados e levam o leitor a reflexões importantes para a vida.







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