UMA LIÇÃO PARA MINISTROS DE LOUVOR E SERVOS EM GERAL
"Louvai-o pelos seus atos poderosos; louvai-o conforme a excelência da sua grandeza." (Salmos 150:2)
Louvar, em sua essência etimológica e teológica, nada mais é do que elogiar. É uma das expressões mais vívidas da adoração, onde o sujeito reconhece os atributos do Criador. Quem louva, louva exclusivamente a Deus, o único digno de receber a glória. No entanto, na prática cotidiana das nossas igrejas, o conceito de "ministração" tem sofrido distorções que precisam ser corrigidas.
Ao subirmos no altar para ministrar o louvor ou exercer qualquer serviço, precisamos ter em mente três pilares inegociáveis:
1. Nosso alvo é Cristo
O louvor não é um espetáculo para a audiência, nem um palco para a autoafirmação do músico. O alvo de cada nota e de cada palavra é Jesus. Quando o "eu" do ministro cresce, o alvo é perdido. A adoração vertical exige que o foco esteja na transcendência de Deus e não na performance humana.
2. Ministrar às pessoas é ensiná-las a louvar
Muitos acreditam que ministrar é "dar um show" para emocionar a congregação. Na verdade, ministrar às pessoas no momento do louvor significa atuar como um guia pedagógico. O ministro deve conduzir a igreja, orientando-a para o propósito da adoração, facilitando o caminho para que cada irmão consiga, por si só, conectar-se com o Pai. É um papel de facilitação, não de protagonismo.
3. Ministrar é, essencialmente, servir
No grego bíblico, a palavra para ministério está ligada ao serviço (diakonia). Ministrar é prestar serviço — primeiramente a Deus e, consequentemente, aos nossos irmãos. É um ato de entrega e despojamento. Se o serviço não gera comunhão e edificação no próximo, ele perdeu sua função evangélica.
O Perigo do "Culto Ruim"
Quando prestamos culto, o fazemos em profunda reverência à Majestade divina. Por isso, precisamos ter muito cuidado com o que dizemos após uma reunião. Opinar que um culto "não foi bom" revela uma de duas patologias espirituais:
Insolência: Você está sugerindo que Deus — o anfitrião e objeto do culto — falhou em Sua parte ou foi insuficiente para satisfazer o seu gosto pessoal (o que é uma afronta à Sua soberania).
Incompetência: Você está admitindo que nós, enquanto adoradores, fomos irreverentes, incompetentes ou fracassados no propósito de oferecer o sacrifício de louvor.
Portanto, antes de dizer que o culto foi ruim, reflita se você não está expondo a sua própria incapacidade de adorar ou a sua insolência diante do Sagrado. O culto é para Ele, por Ele e para a glória d’Ele. Pense nisso.
Alisson Lourenço Pastor, Teólogo, Cientista da Religião e Psicanalista
Bibliografia:
Como este tema toca na liturgia e na ética do serviço, selecionei obras que dialogam com a sua formação:
ALLMEN, Jean-Jacques von. O Culto Cristão: Teologia e Prática. São Paulo: ASTE. (Obra clássica sobre a natureza do culto e a responsabilidade da liderança).
CARSON, D. A. Louvor: Adoração em Espírito e Verdade. São Paulo: Vida Nova. (Essencial para fundamentar a base bíblica do louvor contra o entretenimento).
KIERKEGAARD, Søren. Purity of Heart is to Will One Thing. (Para aprofundar a ideia do "público do culto" ser Deus, e os ministros serem apenas os "puxadores" do coro).
LAUSANNE MOVEMENT. The Cape Town Commitment. (Especialmente as seções que tratam da integridade e humildade no ministério).
LEWIS, C.S. Reflexões sobre os Salmos. (Para entender a natureza do louvor como o "transbordamento" da apreciação do objeto amado).
TILLICH, Paul. A Dinâmica da Fé. São Leopoldo: Sinodal. (Para analisar a relação entre o símbolo, o ritual e a preocupação última do ser humano).
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ALISSON LOURENÇO

