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41 - Igreja de Roma ou Igreja de Jerusalém? O Perigo de Judaizarmos o Cristianismo


Igreja de Roma ou Igreja de Jerusalém? O Perigo de Judaizarmos o Cristianismo

"Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós." (Gálatas 4:26)

Existe uma declaração que tem ganhado força nos púlpitos contemporâneos: "Devemos cortar os laços com a Igreja de Roma e reatar com a Igreja de Jerusalém". Confesso que, em um primeiro olhar, essa frase soa sedutora ao historiador e ao cristão que busca pureza. Afinal, sabemos que a estrutura herdada de Roma, consolidada a partir do século III, trouxe consigo uma amálgama de ritos e práticas pagãs que contaminaram a simplicidade da fé cristã. A ideia de retornar a Jerusalém parece, inicialmente, um retorno à fonte límpida, uma fé sem as misturas do império.

No entanto, como pesquisador e observador da psique religiosa, entendo que o equilíbrio é onde reside o ensinamento de Jesus, enquanto os extremos são as armadilhas. A "Igreja de Jerusalém", se interpretada apenas sob o viés geográfico e cultural, torna-se um perigo tão grande quanto a de Roma.

A Armadilha da Judaização

O que observamos hoje é uma vertente da Teologia da Prosperidade que, em busca de novos mecanismos de controle, utiliza-se de símbolos e ritos judaicos para aprisionar os incautos. Ao "reatar" com Jerusalém de forma equivocada, líderes mal-intencionados resgatam práticas do Antigo Testamento que o próprio Messias já declarou cumpridas. Usam a Bíblia com eloquência, mas para um fim perverso: transformar fiéis em "gado" para proveito próprio.

Se a Igreja de Roma peca pela introjeção do paganismo, essa "nova Jerusalém terrena" peca pelo retrocesso legalista. Jesus foi judeu, mas foi Ele quem deixou claro que as práticas anteriores atingiram seu propósito e foram superadas pela Nova Aliança (Mt 5:17; Gl 3:24). Judaizar o cristianismo hoje não é um retorno à pureza, é uma negação da eficácia da Cruz.

A Liberdade da Jerusalém Celestial

O evangelho, que originalmente é um agente de libertação, não pode ser usado para amarrar as pessoas a calendários, vestimentas ou ritos que já não possuem valor salvífico. A nossa busca não deve ser por uma sede administrativa ou histórica na terra — seja ela a Roma dos Papas ou a Jerusalém dos sacrifícios.

Nossa identidade não está fundamentada em uma linhagem sanguínea ou institucional terrena. Devemos anunciar que a igreja hodierna só é verdadeiramente livre quando reconhece sua cidadania na Jerusalém de Cima. Essa Jerusalém não é um museu de práticas antigas, nem um centro de poder político; ela é a mãe de todos nós, alcançada exclusivamente pela graça e pela fé. Tornemo-nos hoje cidadãos do Reino Celestial, onde a liberdade é o fundamento e Cristo é a única cabeça.

Teólogo, Cientista da Religião e Psicanalista - Pastor Alisson Lourenco


Bibliografia:

  • ALENCAR, Gedeon. Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus 1911-2011. Rio de Janeiro: Novos Diálogos, 2013. (Para entender a transição litúrgica e as influências institucionais no Brasil).

  • GONZÁLEZ, Justo L. Uma História Ilustrada do Cristianismo. São Paulo: Vida Nova. (Referência para a análise da contaminação pagã na Igreja de Roma a partir do século III).

  • MARIANO, Ricardo. Neopentecostais: Sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. São Paulo: Loyola, 1999. (Base para a crítica à Teologia da Prosperidade e ao uso de símbolos judaicos no neopentecostalismo).

  • STOTT, John. A Mensagem de Gálatas. São Paulo: ABU Editora. (Comentário exegético essencial sobre a liberdade cristã e a Jerusalém de cima).

  • TILLICH, Paul. História do Pensamento Cristão. São Paulo: ASTE, 2004. (Para fundamentar a evolução dos dogmas e a influência da cultura romana na fé cristã).


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TEXTO ORIGINAL DE 2015
O PERIGO DE JUDAIZARMOS A IGREJA HODIERNA



            “Devemos cortar os laços com a Igreja de Roma e reatar com a Igreja de Jerusalém”.

            Confesso que em um primeiro momento que ouvi essa declaração, me empolguei, pois soou aos meus ouvidos a seguinte conotação: A Igreja protestante herdou muitas práticas da Igreja Católica Romana de onde saiu, e essa igreja é oriunda de uma fé mesclada com ritos e práticas pagãs conforme podemos entender pela História da Igreja. Ou seja, a nossa fé enquanto oriunda da Igreja de Roma é contaminada e se pudermos enxergar melhor, a nossa origem é de uma Igreja Cristã oriunda do Judaísmo, onde a sede era Jerusalém... É algo mais direto, sem mistura... Pareceu-me mais sincero, mais límpido, algo que realmente pudesse agradar a Deus.

                 Porém entendo também que nos equilíbrios encontramos os ensinamentos de Jesus e nos extremos as armadilhas de Satanás. Portanto mediante as avalanches e aberrações observadas, efeitos dessa Teologia da Prosperidade que invade as nossas igrejas em busca de solução para os seus problemas, entendo que essa própria teologia danosa à vida cristã saudável tem buscado no Antigo Testamento e nas práticas Judaicas um modo de seus líderes adeptos possam controlar os incautos e fazê-los de gado para seu próprio proveito.

                  Não sei se com essa declaração sou totalmente compreendido, vou tentar explicar de outra forma. A Igreja de Roma está contaminada com as práticas pagãs que em sua instituição no séc III foram introjetadas. A igreja de Jerusalém por sua vez seria a saída para uma vida cristã mais próxima aos ensinos de Jesus e dos apóstolos. O que não significa que ao adotar o exemplo (reatar – vide citação inicial) da igreja de Jerusalém que deveríamos nos judaizar (adotar práticas judaicas, do Judaísmo), porque apesar do Cristianismo ter saído do Judaísmo (por Jesus ter sido judeu), ficou claro nos próprios ensinamentos do Mestre Messias que as práticas anteriores deveriam ser abandonadas pois já teriam atingido seu propósito e já não eram necessárias Mt 5. 17; Gl 3. 24 dentre tantas outras referências.

          E o que vemos hoje em dia em nossas igrejas evangélicas, são teólogos mal intencionados usando a Bíblia, confesso, com eloquência para provar suas teses tendenciosas, amarrando e aprisionando as pessoas,  com um evangelho que originalmente liberta.

                Entendo hoje que realmente deve ser anunciado que a igreja hodierna não deve se fundamentar nas práticas da igreja de Roma, nem na de Jerusalém (antiga capital de Israel), se isso significar se tornar judeu, mas como está escrito – “Mas a Jerusalém que é de cima é livre; a qual é mãe de todos nós.” Gálatas 4:26

           Tornemo-nos hoje cidadãos da Jerusalém Celestial. É de graça e alcança a todo aquele que crê. 

Alisson Lourenco

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