INTRODUÇÃO
O
nosso mestre Jesus, enquanto homem aqui na Terra, revelou a nós um
plano maravilhoso de redenção, sendo para nós ao mesmo tempo, o sacerdote perfeito mais excelente que os sacerdotes da Lei, e o sacrifício perfeito quando ofereceu-se a si mesmo por nós para redimir o nosso pecado de forma muito mais eficaz que o efeito do sacrifício da Lei.
Enquanto Sua morte nos trouxe remissão de pecados, Sua ressurreição nos trouxe vida eterna, de forma que esse fato é fundamental para a nossa fé - Não existe Cristianismo sem a Ressurreição de Jesus.
Abaixo
estaremos apresentando fatos importantes desta comparação entre Cristo e
a Lei dentro desse aspecto de Sacerdote e Sacrifício e revelando porque
tão importante é para nós a Ressurreição de Jesus.
1 - No texto de Êxodo 12. 1-8
somos apresentados ao rito que Deus orientara a Moisés e a Arão para
salvar o povo de Israel, cativo no Egito há 400 anos, da última praga - a
morte dos primogênitos - que consistia em escolher um cordeirinho novo e permanecer com ele dentro de casa por 4 dias
e findo esse período, o cordeirinho seria degolado e morto e todos da
família comeriam a sua carne e aspergiriam seu sangue nos umbrais da
portas para assim impedir a entrada do anjo da morte. O detalhe disso
tudo é que o ato de guardar o cordeiro dentro de casa, que objetivava atingir as crianças que se apegavam
ao animal. O ato da morte do animal era de tal forma chocante e
aterrorizante. O ensinamento era justamente esse - A morte de um
inocente para ter vida e liberdade.
Isso foi tão específico como ensinamento que séculos mais tarde, encontramos Jesus em Mateus 19. 13-15 abencoando crianças,
fazendo questão de relacionar-se com elas justamente com o mesmo fim.
Pela inocência e verdade das crianças, que tempos depois veriam a morte
do Cristo de Deus...um inocente que morre, para que os verdadeiros culpados sejam livres e fiquem vivos.
2 - Em Êxodo 28. 33-35 e 39. 25,26
encontramos um relato onde Deus orienta Moisés e Arão sobre as
vestimentas sacerdotais, mais especificamente sobre um detalhe dessa
roupa que são uns sinos e romãs (guizos) que serviam de acordo com essa orientação para marcar os passos do sacerdote dentro do lugar santo e santíssimo
por conta do sonido das peças (visto que só ele poderia entrar lá), que
se não se apresentasse diante de Deus em santificação para os ritos de
sacrifício, poderia ser morto lá dentro por Deus, fato que acarretaria no silêncio dessas peças.
O
resultado da morte do sacerdote nesses ritos era que o sacrifício do
povo não tinha sido aceito por Deus, e o contrário também se fazia
verdade - A saída ilesa do sacerdote do lugar santo e santíssimo
após o ofertório significava aceitação desse sacrifício por Deus e
cobertura dos pecados.
Mais uma vez o nosso Jesus dentro deste mesmo contexto em Mateus 28. 1-6 depois de Sua morte e sepultamento, depois de três dias ressucita, provando que o Seu retorno da mortesignificava aceitação do sacrifício por Deus, eliminação dos pecados da humanidade e vida eterna para todo aquele que crê.
3 - Em João 20. 1-7, em um dos relatos da ressurreição de Jesus, os apóstolos entrando no túmulo vazio, encontram toalhas e lenços jogados no chão e apenas um lenço dobrado a parte (v.7). Para todos nós que lemos o texto esse detalhe poderia passar despercebido, porém não para umjudeu que conhecia as tradições.
Para poder entender a significância do lenço dobrado, você tem que entender um pouco a respeito da tradição Hebraica daquela época. O lenço dobrado tem que haver com o Amo e o Servo, e todo menino Judeu conhecia a tradição.
Quando
o Servo colocava a mesa de jantar para o seu Amo ele buscava ter
certeza em fazê-lo exatamente da maneira que seu Amo queria. A mesa era
colocada perfeitamente e o Servo esperaria fora da visão do Amo até que o
mesmo terminasse a refeição. O Servo não se atreveria nunca tocar a
mesa antes que o Amo tivesse terminado a refeição.
Se o Amo tivesse terminado a refeição, ele se levantaria, limparia seus dedos, sua boca e limparia sua barba e embolaria seu lenço e o jogaria sobre a mesa. Naquele tempo o lenço embolado queria dizer: “Eu terminei.”
Se o Amo se levantasse, e deixasse o lenço dobrado ao lado do prato, o Servo não ousaria em tocar a mesa porque ... o lenço dobrado queria dizer:"Eu voltarei!".
Glória
a Deus - Jesus deixou um sinal de Seu retorno, Ele é o Sumo-Sacerdote
segundo a Ordem de Melquisedeque, e é o Cordeiro de Deus que tira os
pecados do Mundo.
CONCLUSÃO
DE TUDO O QUE FOI DITO, DEVEMOS NOS LEMBRAR QUE:
- JESUS
NOS ENSINOU QUE ELE É O CORDEIRO PASCOAL, OU SEJA QUE NOS LIVRA DA
ESCRAVIDAO E DA MORTE QUANDO ELE, MORRE PARA QUE TENHAMOS VIDA, E ESTE
ERA UM ENSINO A SER DADO DESDE CRIANÇA PARA QUE FOSSE BEM GUARDADO, BEM
FIXADO.
- A RESSURREIÇÃO DE JESUS SIGNIFICA QUE O SACRIFÍCIO DE
JESUS FOI ACEITO POR DEUS DA MESMA FORMA QUE SIGNIFICAVA QUE O
SACRIFÍCIO DO SACERDOTE ERA ACEITO QUANDO ESTE SAÍA VIVO DO LUGAR
SANTÍSSIMO.
- JESUS DEIXA UMA CONFIRMAÇÃO BEM PARTICULAR DA SUA
PROMESSA DE RETORNO, QUANDO DEIXA UM PANO OU LENÇO DOBRADO NO SEPULCRO
ONDE FICARA POR TRÊS DIAS.
BY ALISSON LOURENCO - PASTOR, CIENTISTA DA RELIGIÃO E PSICANALISTA CLÍNICO.
Bibliografia:
BRUCE, F. F. Hebreus: Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova. (Obra fundamental para a exegese do capítulo 7 de Hebreus, tratando da superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o de Arão).
EDERSHEIM, Alfred. The Temple: Its Ministry and Services. (O autor, um judeu convertido ao cristianismo, é a autoridade máxima para fundamentar os ritos sacerdotais, o uso das vestimentas e a simbologia do sacrifício citadas no Êxodo).
JEREMIAS, Joachim. Jerusalém no Tempo de Jesus. São Paulo: Paulus. (Referência para a compreensão das tradições, costumes de mesa e a relação senhor/servo no contexto do primeiro século).
LOPES, Augustus Nicodemus. A Bíblia e seus Intérpretes. São Paulo: Cultura Cristã. (Para fundamentar a aplicação tipológica e hermenêutica realizadas entre o Antigo e o Novo Testamento).
PENTECOST, J. Dwight. Manual de Escatologia. São Paulo: Vida. (Para apoiar a discussão sobre a promessa do retorno de Cristo e a simbologia do "Eu voltarei").
VAUX, Roland de. Instituições de Israel no Antigo Testamento. São Paulo: Teológica. (Obra clássica da arqueologia e história que detalha as vestes sacerdotais e o funcionamento do santuário).
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