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17 - William Joseph Seymour (1870-1922)



William J. Seymour: O Humilde Catalisador do Avivamento Pentecostal Moderno

O Início e a Luta contra o Preconceito

William Joseph Seymour (1870–1922) nasceu em Centerville, Louisiana, em uma época marcada pelas cicatrizes da escravidão e pelas leis de segregação racial. Filho de ex-escravos, Seymour cresceu em um ambiente de extrema pobreza, mas com uma fé resiliente. Na juventude, contraiu varíola, o que o deixou cego de um olho, mas sua visão espiritual tornava-se cada vez mais nítida.

Sua jornada teológica o levou a Houston, Texas, onde conheceu Charles Fox Parham, um defensor das doutrinas do "Caminho Apostólico". Devido às leis de segregação, Seymour era impedido de sentar-se dentro da sala de aula, tendo que ouvir as lições de Parham pelo corredor, através de uma porta entreaberta. Apesar dessa humilhação, ele absorveu o ensino sobre o Batismo no Espírito Santo e a evidência de falar em línguas, partindo para Los Angeles com essa chama no coração.

A Rua Azusa: O Epicentro do Avivamento

Ao chegar em Los Angeles em 1906, Seymour foi inicialmente rejeitado por igrejas estabelecidas. Ele começou reuniões de oração em uma casa na Rua Bonnie Brae, onde o poder de Deus manifestou-se de forma tão intensa que o piso da varanda desabou devido à multidão. O grupo então mudou-se para um prédio abandonado que servira como depósito e estábulo na Rua Azusa, nº 312.

Ali, sob a liderança de Seymour — um homem descrito como extremamente humilde, que frequentemente orava com a cabeça dentro de uma caixa de madeira para manter a comunhão com Deus —, o avivamento explodiu. A Missão da Fé Apostólica tornou-se um fenômeno global. O que tornava a Rua Azusa única era o fato de que, em plena era de segregação racial, "o muro de separação foi derrubado pelo sangue": negros, brancos, hispânicos e asiáticos oravam juntos, lado a lado.

A Mensagem e a Expansão Global

A mensagem de Seymour não se limitava ao falar em línguas; ele enfatizava o amor cristão e a santidade de vida. De Azusa, centenas de missionários foram enviados para os quatro cantos do mundo, levando as sementes do que viria a ser o movimento pentecostal clássico e, posteriormente, as Assembleias de Deus e outras denominações.

Infelizmente, Seymour também enfrentou traições e divisões. O próprio Charles Parham, seu antigo mentor, visitou a missão e criticou as manifestações espirituais e a integração racial. Mais tarde, divisões internas levaram muitos membros a sair para fundar outros ministérios, mas Seymour permaneceu fiel ao seu posto em Azusa até o fim de sua vida, em 1922.

Legado: A Democratização do Espírito

William Seymour é hoje reconhecido como uma das figuras mais influentes do século XX. Ele provou que Deus não escolhe apenas os eruditos ou os poderosos, mas usa os humildes para confundir os sábios. O movimento que começou em um estábulo na Rua Azusa conta hoje com centenas de milhões de seguidores ao redor do globo.


Bibliografia: William Seymour e o Movimento da Rua Azusa

  • ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

  • BARTLEMAN, Frank. A Azusa Street: O Relato de uma Testemunha Ocular do Avivamento que Mudou o Mundo. Rio de Janeiro: Danprewan, 2007. (Fonte primária essencial escrita por um dos participantes).

  • BOYER, Orlando S. Heróis da Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2018.

  • COX, Harvey. Fire from Heaven: The Rise of Pentecostal Spirituality and the Reshaping of Religion in the 21st Century. New York: Da Capo Press, 2001. (Excelente análise sociológica).

  • FERREIRA, Franklin. A Igreja Cristã na História: Das origens aos dias atuais. São Paulo: Vida Nova, 2013.

  • HOCKEN, Peter. The Strategy of the Spirit: J. Rodman Williams and the Pentecostal Tradition. Oxford: Regnum Books, 1996.

  • ROBECK, Cecil M. Jr. The Azusa Street Mission and Revival: The Birth of the Global Pentecostal Movement. Nashville: Nelson Reference, 2006. (Considerada a biografia acadêmica definitiva sobre a missão).

  • SEYMOUR, William J. The Apostolic Faith. (Coleção de jornais publicados pela Missão da Fé Apostólica entre 1906 e 1908).

  • SYNAN, Vinson. O Século do Espírito Santo: 100 Anos de Avivamento Pentecostal e Carismático. São Paulo: Vida, 2009. (Obra fundamental para entender o contexto histórico).


Nota Editorial: Este conteúdo atualiza a postagem original de 2015, integrando uma bibliografia acadêmica moderna para apoiar estudantes de história e teologia em suas pesquisas sobre as raízes do pentecostalismo.




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TEXTO ORIGINAL DE 2015 

William J. Seymour - O Pentecoste do Século XX.


William Joseph Seymour nasceu em 02 de maio de 1870, em Centerville, Santa Maria de Paris, no Estado da Louisiana - USA. Seus pais, Simon Seymour e Phillis Salabar tinham nascido escravos.
Quando o Presidente Abraham Lincoln assinou a Proclamação de Emancipação terminando com a escravidão nos estados rebeldes do Sul, o pai de William se alistou no Exército do Nordeste e serviu até o final da guerra civil. Durante a marcha do exército pelos estados do golfo, Lousiana, Missisipi, Alabama e Flórida ele ficou doente e foi hospitalizado em Nova Orleans. Pela descrição, ele teria contraído malária ou alguma moléstia tropical parecida. Ele nunca se recuperaria totalmente.
William era o primogênito de uma família enorme e viveu seus primeiros anos em abjeta pobreza. Em 1896 os bens de sua mãe eram: um catre, uma cadeira e um colchão, velhos. Toda aquela "fortuna" fora avaliada em $55 dólares - ou R$150,00.
Seymour também sofreu com a injustiça e preconceito da reconstrução sulista. Violência contra homens livres, era comum e a Ku Klux Klan aterrorizava o Sudeste da Louisiana.
O Jovem Seymour teve contato com várias tradições cristãs. Seus pais foram casados por um pregador metodista; o garoto William foi batizado na Igreja Católica Romana em Franklin, Louisiana; seus pais foram sepultados junto a uma Igreja Batista.
Muitos ditos sobre a vida de Seymour afirmam que ele era analfabeto. Não é verdade. Ele frequentou uma escola de homens livres em Centerville e aprendeu a ler e escrever. De fato, o retrato de sua assinatura demonstra uma caligrafia.
Fugindo da pobreza e da opressão da vida no Sudeste da Louisiana, Seymour deixou seu lar em plena infância. Ele esteve trabalhando em Indiana, Ohio, Illinois, e outros estados; possivelmente no Missouri e no Tenesse. Ele habitualmente trabalhava como garçon em hotéis de grandes cidades.
Foi em Indianápolis que Seymour se converteu, em uma Igreja Metodista. Logo, entretanto, ele se uniu ao movimento da Igreja de Deus Reformada em Anderson, Indiana. Naquele tempo o grupo era chamado de "Os santos da Luz do Alvorecer". Enquanto estava com aquele grupo de santidade, ele foi separado e chamado para ser um pregador.
Em Cincinnati, Ohio, depois de um surto quase fatal de varíola, Seymour se rendeu à chamada ministerial. A varíola o deixou cego de um olho e com marcas na face, e, pelo resto de sua vida ele usou uma barba para esconder aquelas marcas.
Em 1905, Seymour estava em Houston, Texas, quando ouviu a mensagem pentecostal pela primeira vez. Ele se matriculou na Escola Bíblica dirigida por Charles F. Parham. Parham, foi o fundador do movimento de Fé Apostólica, e é o pai do reavivamento Pentecostal/carismático moderno. Na Escola Bíblica de Topeka, Kansas, seus seguidores tinha recebido o batismo no Espírito Santo com a evidência bíblica de falar em outras línguas.
Por causa das leis de segregação racial da época, Seymour foi forçado a se assentar no corredor, do lado de fora da sala de aula. O humilde servo de Deus suportou a injustiça com graça. Seymour deve ter sido um homem de um aguçado intelecto. Em poucas semanas ele se tornou bastante familiarizado com os ensinos de Parham, que observou que ele também podia ensinar. Entretanto, não recebera o batismo com o Espírito Santo com a evidência de falar em línguas.
Parham e Seymour dirigiram, juntos, reuniões em Houston, com Seymour pregando para auditórios negros enquanto Parham pregava para grupos de brancos. Parham tinha planos de usar Seymour para espalhar a mensagem da Fé Apostólica para os afro-americanos do Texas.
Neely Terry , uma convidada de Los Ângeles, encontrou com Seymour quando ele pregava numa Igreja regular pastoreada por Lucy Farrar. Esta, era empregada da família de Parham no Kansas.
Quando Terry retornou à Los Ângeles, ela persuadiu a pequena Igreja de Santidade que freqüentava a convidar Seymour para ir até sua Igreja para uma reunião. Sua pastora, Julia Huthinson, oficializou o convite.
Seymour chegou a Los Ângeles em fevereiro de 1906.
Seus primeiros esforços para pregar a mensagem pentecostal foram impedidos e ele foi expulso porta à fora daquela igreja. A liderança tinha suspeitas da doutrina de Seymour, estavam especialmente convencidos de que ele pregava sobre uma coisa que ainda não tinha recebido.
Mudando para a casa de Edward Lee, um zelador de um banco local, o bispo Seymour começou a ministrar a um grupo de oração que estava se reunindo regularmente na casa de Richard e Ruth Asbery, na Rua Bonnie Brae, 214. Asberry também tinha um emprego de zelador. A maioria dos adoradores eram afro-americanos, com algumas visitas ocasionais de brancos. Assim que o grupo foi buscando a Deus por reavivamento, sua fome se intensificou.
Finalmente, em 19 de abril, Lee foi batizado no Espírito Santo com a evidência de falar em outras línguas. Quando as novas de seu batismo foram contadas aos verdadeiros crentes da Rua Bonnie Brae, um poderoso derramamento se seguiu. Muitos receberam o Batismo do Espírito Santo como um reavimento pentecostal chegado à Costa Oeste.
Aquela tarde poderia ser descrita assim: gente caindo pelo assoalho parecendo insconscientes, outras clamavam e corriam pela casa. Uma vizinha, Jennie Evans Moore, tocou piano sem nunca ter tocado antes.
Nos poucos dias de continuo derramamento, centenas se ajuntaram. As ruas ficaram cheias e Seymour pregava do alpendre dos Asbery. Em 12 de abril, três dias depois do derramamento inicial, Seymour recebeu seu próprio batismo de poder.
Rapidamente, deixando o lar dos Asbery, o bispo procurou um local para uma igreja. Eles encontraram um prédio de uma missão na Rua Azuza nº 312.
A missão tinha sido construída para ser uma Igreja Metodista Episcopal Africana, mas quando os planos foram abandonados, o santuário do andar de cima foi transformado em apartamentos. Um incêndio destruiu um lance do teto e ele foi refeito um flat de 40 x 60 com a aparência de uma caixa quadrada. O porão inacabado com um teto baixo e um chão sujo, era usado como armazem e estábulo.
Esse porão veio a ser o local da Missão da Fé Apostólica. uma mistura de cadeiras e pranchas de madeira foram arranjadas para os assentos e oração. Duas caixas cobertas por um tecido barato se transformaram em um púlpito. foi deste humilde local, que a verdade pentecostal se espalhou para o mundo.
Visitantes vieram tanto de perto quanto de longe para participar do grande avivamento na Missão da Fé Apostólica da Rua Azuza, 312 em Los Ângeles, Califórnia.
Em 17 de abril, o jornal Los Angeles Daly Times enviou um reporter ao local do reavivamento. Em seu artigo ele malhou a reunião e o pastor chamando os frequentadores de "uma nova seita de fanáticos", de Seymor disse: um velho exortador. Ele zombou das línguas estranhas : Uma esquisita babel de línguas ".
Mais importante do que suas críticas,foi o tempo providencial da sua visita. O artigo foi publicado no mesmo dia do grande terremoto de São Francisco. Californianos daquela região foram pegos de surpresa e com grande temor achavam que o reavivamento era o cumprimento das profecias do dia do Grande Juízo Final.
Imediatamente, Frank Bartleman, um evangelista intinerante, publicou um folheto sobre o terremoto. Milhares de folhetos, sobre o cumprimento das profecias, foram distribuidos. Logo, multidões se apertaram na Rua Azuza. Um recepcionista disse que mais de mil pessoas lotavam a propriedade. Centenas enchiam o pequeno prédio. outros assistiam do lado de fora, entupindo aquela rua suja.
Com a ajuda de um estenógrafo e um editor, a Missão começou a publicar um jornal, "A Fé Apostólica". Os Sermões de Seymour eram transcritos e impressos junto com as novidades sobre reuniões de muitos missionários que estavam sendo enviados. Os escritos literalmente espalharam a mensagem Pentecostal através do Globo. Circularam mais de 50.000.
Cultos eram dirigidos três vezes ao dia: às 10:00, à tarde e às 19:00h. Eles freqüentemente permaneciam juntos o dia inteiro até o fim do último culto. Este programa continuou sete dias por semana, por mais de três anos.
Era muito comum o perdido ser salvo, o doente curado, o endemoninhado liberto,e quem buscava saía batizado com o Espírito Santo na mesma reunião. Muitos dos pioneiros do movimento Pentecostal receberam o Santo batismo adorando nas pranchas de casca de madeira no altar da Rua Azuza.
Em 28 de setembro de 1922, com 52 anos de idade, teve dores no peito e falta de ar. Embora o médico fosse chamado, o peregrino foi estar com o Senhor na Cidade Celestial.

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