A Teologia Pastoral é o ramo da Teologia que estuda as interações
multidisciplinares do pastor, ou líder religioso seja qual seja a nomenclatura
usada, e seus efeitos em sua própria vida, visto que também visa entender o
aspecto psíquico do ser humano que assumiu um compromisso ministerial que implica
várias demandas de conhecimento, relacionamento humano e com Deus e estrutura
psicossomática para suportar as várias pressões advindas dessa escolha ou
vocação.
Nosso objetivo nessa
dissertação é evidenciar as várias dificuldades enfrentadas pelo pastor ao
assumir esse compromisso. Para isso é preciso ratificar a informação supracitada
da multidisciplinaridade do pastor, visto que ele atua nos seguintes ramos da
Teologia quase que simultaneamente: Psicologia Pastoral, Eclesiologia,
Administração Eclesiástica, Homilética Evangelismo, Missões e Educação
Religiosa.
Em meio a essa
multidisciplinaridade o pastor deve balancear seus compromissos e seus
objetivos a frente de uma comunidade de fé. Tomemos por base de estudo uma
comunidade de fé em meio a um ambiente urbano onde se podem observar algumas
anomalias muito frequentes:
1 – Etnocentrismo – A igreja é santa e a localidade é pecadora.
2 – Desânimo – A igreja enquanto comunidade é impotente face as
problemáticas da localidade.
3 – Isolamento – A igreja quando atua, atua sozinha em relação a outras
comunidades de fé da localidade.
4 – Falta de visão social – A igreja em casos graves acredita que sua
função seja estritamente espiritual, não atuando em sua função social no meio
da localidade.
Esse tipo de problemática ocorre quando
encontramos falha na condução do rebanho. Em nossa observação, podemos apontar
as seguintes anomalias em relação exclusiva com o líder da comunidade de fé.
1 – Existem pastores não convertidos – De algum modo chegaram lá e se
desviaram ou foram corrompidos pelo sistema. Estão perdidos na casa do Pai.
Cegos guiando cegos, rumo ao abismo.
2 – Existem pastores não vocacionados – Provavelmente chegaram lá por
indicação por acharem que o título lhes daria algum estatus social.
3 – Existem pastores preguiçosos – Como o exemplo anterior com um
agravante. Em algumas comunidades que são administradas como empresas, esses
tipos de ministros chegam lá como por promoção por antiguidade. Já não há vigor
nem interesse pela obra.
4 – Existem pastores gananciosos – Esse tipo é o mais perigoso, pois tem
uma motivação para estudar, se aprofundar em textos bíblicos específicos, busca
treinamentos em retórica, técnicas de persuasão dentre outros com o intuito de
buscar, auxiliado pela emergente Teologia da Prosperidade a renda tão esperada
dos fiéis, que em busca de solução para seus problemas, caem em suas armadilhas
bíblicas tão engenhosamente elaboradas.
5 – Existem pastores descontrolados emocionalmente – Esses precisariam
ser tratados pois não tem estrutura emocional para cuidar de outros.
6 – Existem pastores com medo de fracassar – Esse se limita ao
tradicional com medo de ousar e fracassar, não sabe depender de Deus.
7 – Existem pastores despóticos – Esses são os tiranos, talvez com medo
de fracassar ou porque não é equilibrado emocionalmente abusa de sua autoridade
eclesial impondo-a em vez de inspirar sua liderança.
8 – Existem pastores vítimas dos tiranos – Esses são os ministros filhos
na fé dos anteriormente citados, que provavelmente sofrerão por terem sido
forjados em meio a condições adversas. Provavelmente serão os tipos 5 e 6.
9 – Existem os pastores iludidos – A vida pastoral deve ser sonhada,
conduzida sob a autoridade de Deus e exercida com muito zelo e temor de Deus,
mas é preciso ter o pé no chão. Nem tudo são rosas. Há espinhos no caminho.
10 – Existem pastores com casamento destruído – Esses no decorrer de sua
vida ministerial fatalmente priorizaram a obra em detrimento da família. Não
observaram o texto de I Tm. 3. 4-5.
11 – Existem pastores descontrolados financeiramente – São escárnio
dentro da comunidade de fé e na localidade ao qual está inserida, pois estão
fadados a pregarem algo que não vivem alem de estarem sujeitos a pecarem nessa
área.
12 – Existem pastores em pecado – Esse último exemplo que apontamos é o
pior, pois sua “coragem” e total afastamento da palavra não o permitem enxergar
que não existe pecado oculto aos olhos do Eterno e sustentar um ministério em
pecado é muita coragem repito. No fundo está no exemplo 1 pois prega um mundo
espiritual que não acredita de fato. São um perigo para a comunidade de fé,
pois o pecado é o ponto de contato principal do nosso adversário, que sabendo
da condição da liderança, tem a comunidade de fé nas mãos para enganar,
envergonhar e por fim destruir a comunidade. A eles ficam as orientações de Gl.
6. 7 Tg. 4. 8 e Hb 12. 14.
CONCLUSÃO
São muitos os desafios
do ministério pastoral, e é preciso muita humildade e muita comunhão com Deus
para trilhar um caminho muitas vezes solitário apesar de rodeado de pessoas,
ingrato, pois é preciso sempre estar de coração aberto para agradecer e
consciente de que muitas poucas pessoas terão essa consciência. O caminho do
pastor é como o de Jesus, altruísta, abnegado, sem maiores interesses próprios,
e mediante a tantas batalhas espirituais travadas é preciso muita estrutura
psicossomática e disciplina em todos os aspectos. Que Deus nos ajude nessa tão
nobre e tão árdua tarefa.
Alisson Lourenço
Pastor, Teólogo, Cientista da Religião e Psicanalista
Bibliografia:
LOPES, Edson; LOPES, Nívea; GOMES DE DEUS, Persio Ribeiro. Fundamentos da Teologia Pastoral. São Paulo: Mundo Cristão, 2011.
ADAMS, Jay E. Conselheiro Capaz. São Paulo: Fiel. (Obra fundamental para o estudo da Psicologia Pastoral e o cuidado das anomalias emocionais).
BONHOEFFER, Dietrich. Vida em Comunhão. São Leopoldo: Sinodal. (Sustenta a análise sobre as falhas na condução do rebanho e o perigo do isolamento institucional).
LOPES, Augustus Nicodemus. O Ateísmo Cristão e Outras Ameaças à Igreja. São Paulo: Mundo Cristão. (Apoia a discussão sobre a corrupção ministerial e o desvio de vocação).
MARIANO, Ricardo. Neopentecostais: Sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. São Paulo: Loyola. (Base para a crítica à Teologia da Prosperidade e ao surgimento de lideranças gananciosas).
PETERSON, Eugene H. O Pastor Contemplativo. São Paulo: Mundo Cristão. (Dialoga com a necessidade de equilíbrio entre a vida ministerial e a saúde da família).
STOTT, John. O Perfil do Pregador. São Paulo: Vida Nova. (Referência para a integridade do obreiro diante da tentação do status e do despotismo).
TILLICH, Paul. A Coragem de Ser. Rio de Janeiro: Paz e Terra. (Sustenta a análise sobre a estrutura psicossomática necessária para enfrentar o medo do fracasso).
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