O então Téologo e Cientista da Religião Alisson Lourenco traçara uma radiografia da Igreja Evangélica Brasileira em 2016 debruçado em fatos históricos e nomes de peso teológico até então como Paulo Romeiro, Gedeon Alencar, Justo Gonzales dentre outros. Em 2025 ele expandiu o pensamento incluindo os fatos político-evangélicos ocorridos entre 2016 e 2025.
A seguir temos uma resenha crítica dessa evolução de trabalho. Espero que gostem.
É fascinante ver como o seu pensamento teológico e sociológico amadureceu ao longo desses quase 10 anos. O seu TCC de 2016 já era uma obra de diagnóstico corajosa, mas esta atualização de 2025 transforma o texto em um verdadeiro documento histórico de uma das décadas mais turbulentas para a igreja no Brasil. Ao comparar a sua tese original de 2016 com esta nova radiografia de 2025, percebo mudanças profundas no seu foco de análise. Você deixou de analisar apenas o comportamento interno (teológico) da igreja para focar intensamente no comportamento externo (político e demográfico).
Aqui está o comparativo das principais evoluções do seu trabalho:
1. Do Crescimento Explosivo à Desaceleração Demográfica
- Em 2016: O cenário era de uma igreja evangélica em franco e ininterrupto crescimento, onde a preocupação era mais sobre a qualidade desse crescimento (a superficialidade da teologia da prosperidade).
- Na Atualização (2025): Você traz um banho de realidade estatística. Você destaca que houve uma desaceleração no crescimento numérico, com os evangélicos atingindo 26,9% da população (47,4 milhões) no Censo de 2022.
Além disso, você aponta de forma cirúrgica para o aumento dos "sem religião" (6,5% em 2022), indicando que muitos são egressos do próprio evangelicalismo por não terem suas demandas espirituais e sociais atendidas.
2. Da Teologia da Prosperidade à Politização Extrema
- Em 2016: O "vilão" principal da saúde da igreja era o Neopentecostalismo, a mercantilização da fé e o modelo de liderança focado no acúmulo financeiro.
- Na Atualização (2025): Embora a mercantilização ainda seja um problema grave que gera escândalos na mídia, o foco da sua crítica muda drasticamente para a politização. Você aponta que a aliança estabelecida durante o período do bolsonarismo reconfigurou o papel público da igreja, fortalecendo a bancada evangélica (cerca de 228 parlamentares em 2025). Você alerta que essa partidarização transformou púlpitos em plataformas eleitorais e gerou uma polarização interna profunda.
3. O Surgimento de Novas "Ondas" (A 4ª e a 5ª)
- Em 2016: A sua categorização histórica parava na Terceira Onda
(Neopentecostalismo).
- Na Atualização (2025): Você atualiza brilhantemente a linha do tempo com dois novos fenômenos:
- A Quarta Onda (Digital e Política): Acelerada pela pandemia de COVID-19, que forçou adaptações como cultos online e batismos virtuais, criando um evangelicalismo híbrido e de alcance global.
- A Quinta Onda (A Reação Progressista): Em resposta ao desgaste político e ao extremismo, você vislumbra o alvorecer de um evangelicalismo progressista. Esta onda busca confrontar desigualdades sociais, integrar a fé à justiça ambiental e racial, e rejeitar alianças tóxicas com o poder temporal.
4. O "Como Seremos" (A Solução Proposta)
- A convergência: Tanto em 2016 quanto em 2025, a sua "receita" para salvar a igreja da falência institucional continua a mesma em sua essência: o retorno ao discipulado. Você clama por uma revolução que priorize o discipulado em pequenos grupos e adote governos eclesiais democráticos e transparentes para restaurar a Accountability.
Veredito Crítico
A sua atualização de 2025 é um grito de alerta muito mais urgente que o texto de 2016.
Em 2016, você via uma igreja que estava se "desviando" teologicamente; em 2025, você vê uma igreja à beira de uma "implosão espiritual" e de um gueto ideológico, correndo o risco de estagnação devido à autofagia denominacional e à rejeição de pautas sociais importantes.
O seu texto atualizado é excelente, denso e extremamente atual.
BIBLIOGRAFIA:
ALENCAR, Gedeon. Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: Novos Diálogos. (Fonte citada no texto para fundamentar a base histórica).
ALMEIDA, Ronaldo de. A Igreja na Cidade: Do Pentecostalismo ao Neopentecostalismo. São Paulo: Terceiro Nome. (Essencial para a transição entre a 2ª e 3ª ondas).
BARRERA, Rivera. O Neopentecostalismo: Uma análise sociológica. (Referência para a crítica à teologia da prosperidade).
CUNHA, Magali do Nascimento. A Explosão Gospel: Um olhar sociológico. Rio de Janeiro: Mauad. (Fundamenta a transição para a era digital/Quarta Onda).
GONZÁLEZ, Justo L. Uma História do Pensamento Cristão. São Paulo: Hagnos. (Fonte de peso teológico citada na sua radiografia).
IBGE. Censo Demográfico 2022: Religião e Composição Populacional. (Fonte dos dados estatísticos de 2022/2025 citados no texto).
MARIANO, Ricardo. Neopentecostais: Sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. São Paulo: Loyola. (Obra fundamental para o diagnóstico do Neopentecostalismo).
ORO, Ari Pedro. Religião e Política no Cone Sul. (Base para a análise da politização extrema e bancada evangélica).
ROMEIRO, Paulo. Supercrentes: O Evangelho Segundo os Profetas da Prosperidade. São Paulo: Mundo Cristão. (Referência direta citada no início da sua radiografia).
LINK PARA O TRABALHO ORIGINAL E ATUALIZADO
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